segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Estar ou não estar...

Ontem estava conversando com a minha host sobre escolhas e rematch. Ela me disse que quando estava na EF não via tantos casos de rematch, e que acha que tem muito mais pela AuPairCare. Se isso é real ou se é só porque eu comento com ela sobre todos os casos de rematch de que tenho notícia, não faço idéia, mas foi essa nossa conversa. Isso me fez pensar sobre o assunto.
Antes da gente vir pra cá, ficamos tentando imaginar como será, e acabamos fantasiando milhões de coisas. Queremos achar a família perfeita, ter um carrão lindo só pra nós, poder sair sem ter horário pra voltar, ter todos os finais de semana livres, um quarto gigante numa parte afastada da casa pra nem ver ninguém nos horários de folga, um banheiro só pra gente, TV e DVD no quarto, computador disponível (de preferência no quarto) e com internet, telefone no quarto, crianças boazinhas, muito tempo livre, e por aí vai. Tudo isso é muito bom, mas qual é a realidade? Algumas meninas têm tudo isso, outras não. Mas nada disso garante que o nosso ano será feliz aqui.
O que acontece, muitas vezes, é que as expectativas são tão grandes que acabamos nos desapontando depois. Esse desapontamento pode levar a gente a acreditar que a família não é tudo aquilo que pensávamos, e isso pode levar a um desentendimento tão grande que irá resultar em rematch. Não tiro a culpa da família, de jeito nenhum, apenas estou focando o lado de au pair, por ser aquele no qual me encontro. Porque eles, as famílias, enquanto esperam por nós, também criam muitas expectativas que, depois, se não alcançadas, levarão ao rematch. Mas então qual a solução?
É muito difícil saber exatamente pois não há fórmula mágica (como disse a Ana Paula no blog dela). Pensamos que será fácil chegar aqui e já cuidar das crianças e viver nossa vida como se nada tivesse mudado. Que teremos crianças que serão adoráveis 100% do tempo. Crianças que não brigarão nunca, não farão birra, não baterão o pé pra nada. Mas a realidade é outra, e mesmo criança boazinha tem seus dias de capeta.
Primeiro vamos pro treinamento em NY, que é só festa, só diversão, e pensamos que tudo será lindo e maravilhoso aqui no país das oportunidades. Passeamos um monte e conhecemos pessoas de diversos países. Dividimos quarto e cama com completos estranhos e já no segundo dia parece que nos conhecemos a vida toda. Mas daí chega o dia da partida. A gente já acorda diferente, muito abraço, muito choro, muitas promessas de telefonemas e emails. A insegurança toma conta e sentimos um frio na barriga só de pensar que dentro de poucas horas veremos nossa nova família. É emocionante e assustador ao mesmo tempo.
Quando chegamos na casa da família nos encantamos olhando a casa. Queremos logo conhecer cada canto, saber o que se esconde por trás de cada porta. Olhamos pra mesa e já nos imaginamos tomando o café da manhã com a família toda, comendo panquecas e rindo muito, como nos filmes. Geralmente nosso quarto é o último do tour, e ficamos muito contentes olhando praquele quarto decoradinho especialmente para nós, com uma cama arrumadinha e aconchegante. Queremos logo começar nossa vida aqui.
Mas então amanhece. É a manhã do primeiro dia com a família. Quando abrimos os olhos um misto de felicidade e estranhamento toma conta. Não reconhecemos nada, nem nosso travesseiro, nem nossa cama, nem a posição dos móveis no quarto. Mas estamos contentes por estar aqui e sabemos que tudo vai se ajeitar, que tudo ficará bem, de um jeito ou de outro.
As primeiras semanas são as mais difíceis. É tudo diferente. E nos damos conta que não temos mais nossos amigos de toda uma vida, não temos mais nossa família pra implicar no almoço de domingo, e não temos mais nossas "lembranças". Verdade que trouxemos alguns ítens pessoais, mas, como temos limite de bagagem, não conseguimos trazer as "recordações" de toda uma vida vivida. E, é aí, que bate a saudade.
Eu diria que essa saudade, essa vontade incontrolável de chorar que muitos sentem, é apenas uma reação natural do ser humano. É muito difícil lidar com a perda, e uma mudança como a nossa, onde a gente larga tudo (mesmo que temporariamente) pra viver uma aventura, é uma sensação de perda muito grande. Li um artigo que comparava os diversos tipos de perda e sua consequência para o indivíduo, e uma mudança de um lugar para outro completamente diferente (como no nosso caso) foi apontada como sendo tão estressante quanto divórcio ou morte de parente próximo. Realmente é uma mudança drástica, e o corpo apenas tenta lidar com algo que não estava acostumado. A gente pensa que sabe o que vai encontrar, mas acaba sendo muito mais difícil. Quando a gente dá sorte de parar numa boa família, que nos compreende e nos apóia, ótimo. As coisas acabam sendo mais fáceis, e a gente vai se adaptando, aos poucos, como um bebê que aprende a engatinhar, depois a andar e a correr. E a vida segue, sem muitos obstáculos, e fica a cada dia mais fácil. Mas e se a família não nos compreende, e se a família não nos apóia e nos conforta? O que fazemos então? Então aprendemos a ser fortes por nós mesmos. Aprendemos, na marra, que a vida é feita de altos e baixos e que precisamos estar preparados para levantar depois do tombo, sacudir a poeira e dar a volta por cima. É fácil? Não, claro que não. Mas é possível? Com certeza. Somos muito mais fortes do que imaginamos, e muito mais capazes do que jamais poderemos imaginar. E então seguimos ao próximo passo, à uma nova etapa de nossas vidas.
Para alguns esse passo é o rematch, para outros é a volta para casa. Nenhuma dessas opções é fácil de se tomar, mas são as que temos em mãos. A vida nos dá cartas para jogar, e cabe a nós decidir o que faremos com elas. Qual é a melhor opção? Vai depender de quem a toma, é algo individual, portanto ninguém pode saber melhor que a gente qual seria a melhor opção. Mas ela será decisiva para o nosso crescimento, seja ela qual for. É apenas mais uma etapa de nossas vidas onde devemos decidir que caminho seguir, se vamos pra direita ou pra esquerda, se caímos na boca do leão ou se enfrentamos um crocodilo. Qual é o melhor? Vai depender das nossas armas e munições, vai depender da nossa bagagem de vida.
Opção tomada, partimos para uma nova etapa. Se ficamos, vamos nos deparar com uma novo família, um novo recomeço. Ficamos mais tolerantes e repensamos nossas atitudes. Passamos a escolhar quais as qualidades que são mais importantes (para nós) na nova família e quais os defeitos que toleraremos melhor. Afinal, morar com uma família, é quase como um casamento, temos que procurar quais os defeitos que nos incomodam menos, ao invés de nos concentrarmos somente nos benefícios que teremos aqui. Benefícios são muito bons, mas em cada família é diferente. O sucesso na escolha da família se dá, não pelos benefícios, mas pela busca de afinidades e diferenças.
Mas, se voltamos ao nosso país, também voltamos mudados. Quando voltamos já não somos mais a mesma pessoa que partiu, somos outro alguém. Voltamos mudados porque já vivenciamos algo diferente e marcante em nossas vidas, e ninguém escapa disso. Voltamos um alguém com uma bagagem diferente, uma bagagem que pode ou não fazer sentido no momento, que pode ou não ser evidente, mas que está lá. E essa mudança, essa nova bagagem, vai nos transformar no indivíduo que seremos amanhã.
Qual a melhor opção? A escolha é nossa, e acabe a nós descobrir, mas com certeza será uma experiência marcante para todos que estejam dispostos a correr o risco. Será marcante de uma forma diferente para cada um. Será inesquecível, seja qual for o resultado final. Será a nossa vida, a nossa experiência, a nossa vivência. E isso ninguém pode tirar da gente.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

A primeira impressão é a que fica

Como é engraçado a influência que a primeira impressão, o primeiro encontro, o primeiro contato, têm na gente.
Ainda hoje li o texto "Procura-se um amigo", por muitos atribuído a Vinícius de Moraes (apesar de não constar em nenhum de seus livros ou mesmo no site oficialmantido pela família), e estava lembrando da primeira vez que li este texto. Foi uma amiga que me escreveu e concluiu dizendo que tinha encontrado em mim esse amigo. Esse texto me traz boas lembranças, me traz ao pensamento todas as pessoas que conheço, que fazem parte da minha vida, e com as quais dividi e divido alguns dos momentos citados no texto. Tenho vários amigos e com cada um compartilho algo especial, algo único, algo que jamais será apagado.
Já uma grande amiga minha teve uma experiência completamente diferente. A associação que ela tem não é boa, pelo contrário. Esse texto foi deixado por alguém que tirou a própria vida, como uma nota de despedida. Pra ela o texto traz uma sensação de despero, uma morbidez que leva o indivíduo às últimas conseqüências...
Mas para mim o texto não deixa de ser bonito, de me fazer sentir bem pelos amigos que tenho, fazendo brotar um sorriso em meus olhos a lembrar de todos eles. Each and every one, each and every day.
E você, que associação faz?

SEIS MESES!!!

Seis meses aqui nesta terrinha de meu Deus. hehehe
O que posso dizer? Gosto muito daqui, me sinto muito querida e bem tratada. Gosto de dirigir por aqui e gosto das facilidades. Gosto de ser bem tratada quando vou em lojas e de estar sempre com a razão. Gosto de poder trocar um produto só porque quero, sem motivos maiores e sem chateação. Gosto de poder voltar na loja semanas depois e pedir reembolso de parte do valor do artigo porque agora está em oferta. Gosto até de abastecer o carro sozinha. Gosto de poder comprar o que quero na hora que quero. Gosto de tomar café no carro em copos que não derramam. Gosto de deitar na cama com meu laptop no colo, vendo TV e digitando meus textos pras aulas. Gosto de conhecer pessoas de outros países e de conhecer pessoas do meu próprio país. Gosto de perceber o quanto somos diferentes uns dos outros e o quanto somos parecidos. Gosto de ver o quanto nós, seres humanos, somos capazes. Gosto de me sentir parte deste grande globo que é a Terra.
Hoje li um texto que se chama "Império do mal - e superlegal" no Garotas que dizem ni e gostei muito. É engraçado como é fácil falar mal do país dos outros. Pimenta nos olhos dos outros é refresco... Realmente fico indignada quando alguém fala mal do meu país; portanto, quem sou eu pra falar mal do país dos outros? Com que cara posso eu apontar os defeitos dos outros se tenho em mim tantos defeitos que não quero ver apontados? Por acaso sou perfeita? Por acaso alguém o é?
Pensemos, portanto, antes de julgar. Quem se atreve a julgar sem ponderar precisa estar preparado para arcar com as conseqüências... Ou ao menos ser um bocado eloqüente...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Happy Valentine's Day

Meu Valentine's foi ótimo!!! Acordei e já tinha uma sacolinha cheia de presentinhos pra mim, com direito até a um mini troll.
Depois de deixar os dois mais velhos na escola fui no Target, comprar os presentes de Valentine's pra eles, e no banco, resolver um probleminha na minha conta, mas já está tudo resolvido. Comprei até balõezinhos de Valentine's. Bem legal.
Túnel do tempo: quinta saí com as brasileiras; fomos no Starbucks. Estou preocupada com uma delas que não está passando por bons momentos. Tenho pensado muito nela e tento sempre mandar muito pensamento positivo, pra que tudo se resolva logo da melhor maneira possível.
Sábado tirei 100% de aproveitamento em dois testes que fiz no computador, um de Complete Sentences (que eu tirei 40% na primeira vez) e outro de Distinct Sentences (que eu tirei 75% na primeira vez que fiz o teste). Até ganhei pontos de bônus. Fiquei bem contente.
Já na madrugada de segunda pra terça nevou um bocado. Chegou a cobrir meu carro com seis dedos de neve e tivemos que desenterrar o coitadinho pra poder sair (hehehe). Mas tudo ficou lindo coberto de neve. O problema foi as crianças não terem aula, porque daí tive mais trabalho. Mas tudo bem, eles são bem queridos e obedientes.
No mais foi isso. Até breve!

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Mudanças...

Mudanças são necessárias na vida e nem sempre são fáceis. Seja mudança de cidade, de escola ou de estações do ano, não importa, elas estão sempre muito presentes na vida da gente, quer a gente queira, quer não.
Cansei do meu antigo template, muito infantil. Se fui eu que cansei ou ele que me cansou, não sei ao certo, o certo é que não conseguia mais olhar pra um template de menininha com ursinho, parecia tudo muito falso, muito diferente da realidade, muito fantasia. Não que eu ache que fantasia na vida não faça bem, muito pelo contrário, quem me conhece bem sabe, mas acho que a gente fantasia com algo que gostaria que acontecesse, e aquela imagem não faz parte dos meus sonhos.
Agora, fala sério, que trabalheira pra conseguir colocar tudo em ordem. Afff... Paciência, tudo terá que ser feito com muita calma.