Engraçado como as coisas vão acontecendo na vida da gente. De uns tempos pra cá certas coisas aconteceram, e algumas delas até me assustam.
Não sei exatamente qual foi a primeira, mas muitos avisos vêm chegando pra mim e eu quero com todo meu ser ignorá-los. Espero que um dia eu releia esse post e pense no quanto fui boba por me deixar levar por tudo isso. Mas no momento, a única coisa na qual penso é que tudo está em constante movimento, e que de algumas coisas não se volta atrás.
Sabem aquela história de que tudo vem em 3? Pois eu não sei se é verdade isso, mas se parar pra pensar, várias coisas na minha vida aconteceram em trio. Passei três vezes na Federal e (ainda) não terminei nenhum dos 3 cursos. Cuido de 3 crianças aqui. Desde que cheguei nos EUA já fui pro Brasil quantas vezes? 3! Tive 3 incidentes com o carro (ignição quebrada mais duas batidas, nenhuma culpa minha) e recebi 3 multas (todas relacionadas ao carro, por estar com emplacamento vencido, todas no mesmo dia, e nenhuma por culpa minha). Se eu quiser ainda acho mais umas, mas vamos ficar por aqui.
Pois bem. Tenho recebido muitos sinais relacionados com morte. É gente doente precisando de cirurgia (tenho pavor disso), é coroa fúnebre sendo mandada pra quem ainda está vivo, é Dercy morrendo, é pai de amiga virtual que partiu, enfim. Como diria meu avô (já falecido) "tá morrendo gente que nunca morreu antes."
Abre parênteses: Pode parecer estranho pra muita gente esse fundinho de humor negro, mas como meu avô, é assim que lido com a vida. Puxei dele. E também da minha mãe, que já havia puxado dele. E, claro, do meu pai, com quem posso contar nos dedos as conversas sérias sem uma piada pra quebrar o gelo. Não tem jeito. Ele perde o amigo mas não perde a piada. Fecha parênteses.
Bom, só sei que quando vi o blog da Cyn me deu vontade de chorar. Me veio um vazio pesado no peito. Lembrei do meu avô, e como foi tudo tão repentino e desconectado da realidade. Meus olhos ainda se enchem de lágrimas. E olha que já faz mais de 14 anos que ele se foi.
Tento pensar no lado positivo: ele já não sente mais dor, nunca mais vai se sentir frustrado ou angustiado. Mas e eu? E nós que aqui ficamos com essa dor toda?
Não sei o que falar para consolar alguém. Falar o quê? Que já passei por isso? Que sei bem como é? Que entendo o que ela passa?
Nada disso ajuda. Acho que a única coisa que ajuda mesmo é dizer "meus pêsames." Não que isso vá resolver algo, mas para que a pessoa sinta que nossos pensamentos estão com ela. Para que saiba que tem alguém que se importa com o sofrimento dela e que deseja que esse amargor inicial passe.
Porque passa sim. Passa e fica só essa dor na garganta que dá vontade de chorar mas que também nos impulsiona a viver. A viver como a pessoa querida, que agora se foi, gostaríamos que vivessemos. A olhar para frente e ver os frutos novos que a cada dia povoam a nossa vida. As próximas gerações. E então é torcer para que os que vêm saibam ser um pouco como os que foram. E que nós possamos um dia não chorar mais tanto.
Beijos, Cyn, pra você e pra toda tua família. Meus mais que sinceros pêsames. E que seu pai possa, finalmente, descansar em paz e sem dor.